{"id":2829,"date":"2011-04-09T20:52:57","date_gmt":"2011-04-09T22:52:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maysadecastro.com.br\/blog\/?p=2829"},"modified":"2011-04-09T20:52:57","modified_gmt":"2011-04-09T22:52:57","slug":"atalhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maysadecastro.com.br\/blog\/2011\/04\/09\/atalhos\/","title":{"rendered":"Atalhos"},"content":{"rendered":"<p>Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, a\u00c3\u00ad mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o bra\u00c3\u00a7o a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dram\u00c3\u00a1ticos. Levamos um s\u00c3\u00a9culo para aceitar o fim de uma rela\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, e outro s\u00c3\u00a9culo para abrir a guarda para um novo amor, e j\u00c3\u00a1 adultos demoramos para dizer a algu\u00c3\u00a9m o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decis\u00c3\u00a3o. At\u00c3\u00a9 que um dia a gente faz anivers\u00c3\u00a1rio. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo n\u00c3\u00a3o pode continuar sendo desperdi\u00c3\u00a7ado. Fazendo uma analogia com o futebol, \u00c3\u00a9 como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecess\u00c3\u00a1rias. Que esbanjamento. N\u00c3\u00a3o falta muito pro jogo acabar. \u00c3\u2030 preciso encontrar logo o caminho do gol.<\/p>\n<p>Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, \u00c3\u00a9 ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 louvada, pra todo o resto \u00c3\u00a9 melhor atalhar. E isso a gente s\u00c3\u00b3 alcan\u00c3\u00a7a com alguma viv\u00c3\u00aancia e maturidade.<\/p>\n<p>Pessoas experientes j\u00c3\u00a1 n\u00c3\u00a3o cozinham em fogo brando, n\u00c3\u00a3o esperam sentados, n\u00c3\u00a3o ficam dando voltas e voltas, n\u00c3\u00a3o necessitam percorrer todos os est\u00c3\u00a1gios. Queimam etapas. N\u00c3\u00a3o desperdi\u00c3\u00a7am mais nada.<\/p>\n<p>Uma pessoa \u00c3\u00a9 sempre bruta com voc\u00c3\u00aa? N\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 obrigat\u00c3\u00b3rio conviver com ela.<\/p>\n<p>O cara est\u00c3\u00a1 enrolando muito? Beije-o primeiro.<\/p>\n<p>A resposta do emprego ainda n\u00c3\u00a3o veio? Procure outro enquanto espera.<\/p>\n<p><strong>Paci\u00c3\u00aancia s\u00c3\u00b3 para o que importa de verdade.<\/strong> Paci\u00c3\u00aancia para ver a tarde cair. Paci\u00c3\u00aancia para sorver um c\u00c3\u00a1lice de vinho. Paci\u00c3\u00aancia para a m\u00c3\u00basica e para os livros. Paci\u00c3\u00aancia para escutar um amigo. Paci\u00c3\u00aancia para aquilo que vale nossa dedica\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o.<br \/>\nPra enrola\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o&#8230;atalho.<\/p>\n<p><em><strong>Martha Medeiros<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, a\u00c3\u00ad mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o bra\u00c3\u00a7o a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dram\u00c3\u00a1ticos. 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